Desde o primeiro momento em que anunciei o trabalho de yoga pós-parto, tenho recebido a pergunta: até quando vai o período pós-parto? Eis aí uma questão difícil e passível de muitas respostas. Eu devolvo a pergunta a cada mulher: você ainda se sente em pós-parto?
O nascimento de um filho nos abre uma porta na vida e muitas vezes nos tornamos outra após este grande evento. O parto é um marco na vida da mulher, de forma que podemos dividir a vida em pré-parto e pós-parto. E sob esse ponto de vista, o período pós-parto não terá fim.
Do ponto de vista médico e psicológico, há algumas vertentes e propostas, considerando o comportamento emocional e hormonal da mulher, a fusão entre bebê e mãe, o aleitamento materno, entre outros critérios.
Para a construção da prática de yoga direcionada à mulher na fase pós-parto, não tenho limite de tempo. Criei a prática baseada em algumas condições comuns à maternagem, e cada mulher se distância dessas condições em um tempo próprio. Então, o yogaposparto considera as seguintes especificidades como características da mulher em pós-parto:
• Lactância
• Sentimento de fusão entre mãe e bebê
• Filho que demanda colo
• Abdômen estendido
• Dificuldade na retomada da vida social
• Sono fragmentado durante a noite
• Confusão emocional: tristeza pós-parto e alegria com a chegada do filho
• Sensação de ventre vazio
• Dúvida mental e insegurança diante às decisões maternas
• Ausência ou queda de libido
• Desajuste familiar; o casal não se reconhece mais
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| Iara e Isadora. Foto: Kalu Brum |
Algumas mulheres podem apresentar todos esses comportamentos ao mesmo tempo, ou apenas alguns deles. Há mães cujo filho tem 6 meses e não se identifica mais com as condições pós-parto; enquanto outras, mesmo com um bebê de 1 ano e meio, está envolvida por tais características. Por isso, para mim e para o trabalho de yogapósparto, a duração desta fase varia de experiência para experiência.
Tenho um bebê de 1 ano e 3 meses, vivo parte dos sentimentos e comportamentos acima; me considero com um pé dentro e um pé fora do período pós-parto. Estou ensaiando viver com os dois pés fora e me sobrará a lactância. Este texto, por exemplo, está sendo escrito com um bebê sentado no meu colo, mamando. O que significa que divido minha vida pessoal/profissional ainda com ele. A estabilização da independência entre mãe e filho tende a ser um processo longo. Não adquirimos autonomia de forma cortante, do dia pra noite; e não adquirimos todas no mesmo momento. A fusão entre mãe e bebê foi plena durante a gestação; emancipar-se novamente é um passo grande, às vezes doloroso, e que merece ser dado com cautela e carinho.
Me ajudem a desenhar os limites do período pós-parto. Até quando você se sentiu nessa fase? Quando você acha que sairá desse período?

