sexta-feira, 25 de maio de 2012

Assumindo uma postura contra depressão - virasana


Como prometido na postagem anterior, trago hoje uma sugestão de asana para evitar, ou até mesmo eliminar, a depressão pós-parto. Vamos experimentar a postura Supta Virasana e/ou variações possíveis na postura Virasana. Supta Virasana é a realização da postura do herói deitada. Ajoelhe-se sobre o colchonete, com os joelhos juntos e os pés apontados para trás e alinhados aos quadris. Sente-se entre os pés. Se a postura for dolorosa, afaste um pouco os joelhos e sente-se sobre uma almofada ou bloco. Se sentir grande alongamento nas coxas, mantenha-se apenas nessa postura. Porém, se estiver confortável, realize Supta Virasana inclinando o tronco para trás até deitar. Relaxe na postura, ficando em torno de 1 minuto. Retorne lentamente, apoiando-se em um dos braços para então trazer o tronco.
Você pode também experimentar deitar-se sobre almofadas, deixando-as preparadas antes de realizar a postura. Veja na figura:

Agora, apenas sentada em Virasana, você pode realizar Gomukasana (postura da cara da vaca). Leve um braço para o alto e o outro para trás das costas, dobrando o cotovelo. Dobre o braço esticado tentando tocar as mãos atrás das costas. Permaneça por algum instante e realize para o outro lado. A postura traz benefícios mesmo quando as mãos não se tocam, basta que a praticante mantenha a intenção e o desenho do asana.


Importante lembrar-se de que yoga não é uma ginástica; portanto, mais do que uma pose, os asanas são posturas que você assume por um momento na sua vida. Você abrirá seu peito, estimulará o timo (órgão que ajuda a controlar sua auto-estima), e se sentirá mais disposta a desfrutar a vida. Realize as posturas mantendo a respiração sob seu controle e procure soltar o ar lentamente.

Boa prática! Seja leve e feliz!

Namastê!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Depressão pós-parto, já te falaram sobre isso?

Adquiri o livro " O livro de Yoga e saúde para a mulher", de Linda Sparrowe, com sequências de Yoga de Patricia Walden. Estou gostando muito e gostaria de dividir com vocês um pequeno trecho sobre depressão pós-parto. Sparrowe diz palavras simples, até comuns. Mas o tema é tão pouco explorado e tratado no dia a dia, que dizer o básico sobre a depressão já é muito importante. O livro ainda sugere asana (posturas) que ajudam a superar o estado depressivo.

Sethubandasana (postura da ponte)
"Quando Sarah tinha umas três semanas, eu desmoronei, despreparada que estava para enfrentar as exigências de um bebê (ainda mais de um bebê que chorava o tempo inteiro). Eu, que sempre tinha sido auto-suficiente, precisava agora do apoio do meu marido. Fora isso, eu precisava muito da companhia de adultos e o meu corpo não estava forte e enxuto como antes (como eu esperava que estivesse, depois de três semanas). A depressão me pegou e precisei de quase três meses de yoga, de meditação e da compreensão do meu marido para sair daquele desalento. Minha amiga Kathryn acha que todas as mulheres deveriam ser informadas sobre a depressão pós-parto. A dela se manifestou como puro terror. Ela ficou apavorada com a ideia de ser responsável por um bebê tão pequeno - uma responsabilidade que duraria o resto da vida. E com a certeza de que a vida nunca mais seria só dela, sem saber se daria conta da assustadora tarefa de cuidar, alimentar e orientar sua filha ano após ano.


Nós duas nos consolamos com o fato desses sentimentos serem bastante comuns. Os médicos atribuem os incríveis altos e baixos de mães novatas aos altos e baixos dos hormônios pré e pós-natais. Mas eu acho que a causa da depressão não é só essa. Em geral, essa depressão vem mais ou menos na época em que o leite enche os seios, obstruindo-os e provocando muita dor; ao mesmo tempo, o bebê começa a ficar mais irrequieto e a novidade da situação já se desgastou - todos já voltaram à rotina de sempre e a mãe está sozinha com seu bebê. A vida começa a pesar, assim como a responsabilidade de cuidar de um ser humano tão pequeno.


Prefira as posturas que abrem o peito, expandem a respiração e reenergizam o espírito, como a Postura Reclinada do Herói (Supta Virasana), a Parada de Ombros (Sarvangasana), a Postura da Ponte (Setu Bandha SaSarvangasana) e outras do Capítulo 10. Eu me sentia melhor quando reservava um tempinho para fazer alguma coisa por mim mesma - dar uma caminhada, meditar, visitar uma amiga, ir a uma aula pós-natal - qualquer coisa que me clareasse a cabeça e recarregasse minhas baterias. Não tenha medo de pedir ajuda; ninguém disse que seria fácil e nem que você teria que fazer tudo sozinha. As aulas de yoga pós-natal oferecem uma oportunidade maravilhosa - vá você sozinha ou com o bebê - para praticar e, o que é igualmente importante, para entrar em contato com outras mães. Se a depressão durar mais do que duas semanas, procure ajuda."
(pp.173-174)

Nas próximas postagens trarei dicas de como executar as posturas recomendadas.
Por enquanto, fiquem com a segurança de que você nunca está sozinha em sua maternagem. Conte com a sabedoria e o calor que moram no seu coração.
Namaste!

domingo, 25 de março de 2012

Yoga traz conforto físico e emocional para gestantes

Dei entrevista ao jornal Folha de Pedro Leopoldo e eles publicarm uma matéria sobre yoga e maternidade, e sobre meu trabalho.Vejam:

Folha de Pedro Leopoldo,
Yoga traz conforto físico e emocional para gestantes

A prática alivia o cansaço, o sono e as alterações hormonais comuns durante a gestação e nos primeiros momentos da maternidade. Aulas em Pedro Leopoldo ganham cada vez mais adeptas

O estresse diário, o corre-corre da vida moderna, a fadiga e até mesmo a poluição sonora, visual e ambiental a qual o ser humano é submetido atualmente, fazem com que as pessoas cada vez mais procurem medidas alternativas de relaxamento. E o Yoga tem sido uma das opções mais buscadas por quem necessita da calmaria física, espiritual e emocional.

De acordo com Geozeli Tássia de Pinho Camargos, 28 anos, formada em Hatha Yoga, praticante de yoga há 8 anos, os benefícios dessa atividade são inúmeros e compensatórios. Geozeli conheceu a prática em 2004, numa escola do ramo e se encantou com o que viu. “Na época eu praticava tai chi chuan e dançava profissionalmente. Já tinha uma extensa grade de trabalhos corporais e acreditava que o yoga me traria mais consciência corporal e auto-conhecimento. Queria acrescentar o yoga à minha formação física e aumentar minha concentração e internalização. Eu já sabia também que o yoga se fundamentava como uma filosofia e tinha como finalidade o crescimento espiritual. Isso me interessava. Fiquei 3 meses em uma escola e troquei-a pelo Instituto Aravinda, pelo qual me tornei professora, onde pratico até hoje e dou aulas também”, contou.

Mãe de duas crianças, de três e um ano, Geozeli experimentou a prática do yoga como suporte para os desafios da maternidade e agora resolveu passar adiante o que conquistou com sua experiência. “A maternidade traz muitas mudanças para a vida da mulher. O yoga é um poderoso recurso para a mãe que deseja ser intuitiva, forte e serena, em medidas iguais. A prática também alivia o cansaço físico, o sono e as alterações hormonais comuns dessa fase. Com a prática de yoga, a grávida consegue se adaptar melhor ao novo corpo, se sente mais disposta, confiante e mais conectada com o novo ser que está gerando. O yoga ainda prepara a mulher para o parto e o convívio com seu bebê” afirmou.

Geozeli iniciou este ano aulas de yoga em Pedro Leopoldo. A prática é ministrada para gestantes e pós-parto, durante uma hora e quinze minutos, duas vezes por semana. Segundo a professora, são momentos que se tornam essenciais para uma gravidez sadia e uma relação harmoniosa com o bebê após o nascimento. “Quando engravidei pela primeira vez, procurei me inteirar do tema parto, gestação e amamentação. Minha busca me levou a conhecer a ong Bem Nascer, que atua em BH defendendo o parto humanizado. Rapidamente me tornei ativista e associada. Isso me fez conviver com um número grande de grávidas e novas mães. Fui acompanhando os medos, dificuldades físicas e emocionais da mulher nessas fases, e através da ONG procurei ajudar com os recursos que tinha disponível. Ao me formar professora, procurar atender esse público foi quase inevitável. Eu pratiquei yoga nas duas gestações e logo após os dois partos tenho a certeza de que isso facilitou e ainda facilita minha experiência materna. Não tenho como, nem porquê, deixar de oferecer esse conhecimento a outras mulheres”, reforçou.

Ainda segundo Geozeli, a prática de yoga para essas mulheres traz um retorno que vai além dos benefícios para mãe e filho, mas que atingem positivamente as pessoas como um todo. “O conhecimento de alguns teóricos da obstetrícia, pediatria e psicologia (como Michel Odent, Laura Gutman, Carlos Gonçales), me faz acreditar que a principal forma de criar um mundo mais harmonioso e pacífico do que temos hoje é mudando a forma de nascer dos nossos bebês, e cuidando com mais carinho da primeira infância. E como forma de colaborar nesse projeto de mundo melhor, me proponho a ajudar as mães a estarem mais equilibradas, seguras e serenas, para que assim possam cuidar de seus filhos com amor. A maternidade é um momento doce, mas muito pesado. É preciso criar um círculo de apoio em torno da mulher para que ela consiga assumir seu papel sem carregar um fardo”, justificou.

Geozeli camargos ministra aulas de Yoga na Estação Bem Estar, anexo ao Restaurante Estação, à Rua Anélio Caldas, 94, para Turmas Pós-parto às segundas e quartas-feiras de 9 às 10h15 e de 16 às 17h15 e para Turmas Gestantes às segundas e quartas-feiras das 7 às 8h15 e das 18h30 às 19h45. Mais informações no http://www.yogaposparto.blogspot.com.br, ou pelo email contato@estacaodobemestar.com.br e ainda pelo telefone 3662-0059.

sábado, 24 de março de 2012

Gravidez serena e saudável com yoga

Escrevi um artigo para o jornal Folha de Pedro Leopoldo. Falei um pouco do que tenho falado aqui, sintetizando ainda mais.Compartilho com vocês.
Namaste!

Com frequência vejo relação entre a maternidade e as fases da Lua. A gravidez nos torna uma grande Lua cheia: os hormônios deixam a pele mais bonita, os cabelos cheios de brilho, uma resplandecência sem fim. Todos os olhares da rua, todos os serviços de saúde, todos os telefonemas são para a gestante. Repentinamente a Lua nasce! Os cabelos ficam mais secos e caem, as emoções ficam confusas, o sono e a fadiga tomam conta. A mãe se tornou uma Lua nova: todos os olhares são para o bebê! A vontade materna é de se recolher, se deixar minguar.

As fases da gestação e do período pós-parto são cheias de transformações físicas, mentais e emocionais. A velocidade com que se troca de fase, muitas vezes, deixa a mulher confusa e vulnerável. Por causa de todas as mudanças, durante a gestação muitas mulheres vivem com um pé na satisfação e outro no incômodo.

Existem recursos capazes de trazer equilíbrio emocional e físico para a gestante, e entre eles está a prática de yoga. Esta milenar tradição ajuda a grávida a se adaptar melhor ao novo corpo, se sentir mais disposta, confiante e conectada com o ser que está gerando. Com o Yoga, a mãe poderá fincar seus dois pés na satisfação e segurança, eliminando seus medos, fortalecendo seu corpo para sustentar o novo peso e ainda estará mais preparada para o parto, para a amamentação e o convívio com o bebê.

Nasceu o bebê, e ao mesmo tempo nasceram as responsabilidades, o medo de não dar conta, um corpo novo, um amor além da conta, um instinto desconhecido e uma disputa (interna e externa) dos modos de se criar um filho.
Nesse momento o yoga ajuda a mãe a silenciar-se e administrar a própria mente, para ser capaz de reger novamente a vida, acolhendo as mudanças e escolhendo os caminhos. O yoga ajudará a mãe a ser intuitiva, forte e serena, ao mesmo tempo. A prática também aliviará o cansaço físico, o sono e as alterações hormonais comuns dessa fase, ajudando a evitar a depressão pós-parto e a tristeza pós-parto(baby blues).

Eu já praticava yoga desde antes de engravidar pela primeira vez. Pratiquei nas duas gestações e tenho colhido os louros em minha casa. A experiência do yoga me ofereceu recursos para administrar minhas dificuldades do dia a dia materno. Diante das dores nos braços e coluna, recorri às posturas para me alongar e fortalecer. Diante de um bebê com sono que resistia para dormir, recorri aos mantras para me acalmar e ser capaz de fornecer paz a ele. Diante dos palpites equivocados, recorri à meditação para escutar meu coração e conhecer o manual de bebês que residia lá dentro. Diante da febre, resfriado ou medo da doença, recorri à fé e positividade que o yoga aflorou em mim.

Assim, o yoga sempre foi um grande parceiro no ato de maternar. E essas dificuldades foram vividas com leveza, me permitindo desfrutar da doçura de ser mãe.

O Yoga é um encontro consigo mesma, que faz a mulher descobrir a força feminina e sagrada que mora no coração e no ventre de toda mãe.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Instantes de paz

Arquivo pessoal

Hoje venho contar a experiência de outra mulher com yoga e maternidade. Angela Campelo, mãe de 5 filhos, avó de 7 netos, doçura e generosidade encarnada. Angela pratica yoga desde os 19 anos, e entre pausas e retomadas, são quase 50 anos de envolvimento com o yoga. Ela é criadora da escola Tranquilitas, professora há 16 anos, e me contou da sua experiência com suas crianças, que devo dividir com vocês.

Quando os filhos de Angela eram pequenos, ela não trabalhava fora de casa e assumiu integralmente os cuidados com os pimpolhos. Não contava com ajuda de babá, mas tinha uma ajudante para os cuidados da casa. Embora fosse uma mãe dedicada e que ama muito os filhos, haviam momentos em que ela desejava “engolir os meninos” para ter instantes de sossego. Ela pensava “só se eu voltar esses meninos pra minha barriga, vou conseguir ajeitar as coisas”. Por mais que ela desejasse, o ato não era possível. Angela tinha, como toda mãe, que se organizar, se reconhecer, se achar e respirar mesmo envolvida às ações das 5 crianças. Falando em língua de dia de semana, ela tinha que se virar!

Como já era uma apaixonada praticante de yoga, encontrava aí uma luz para seus momentos de sufoco: vez ou outra pedia à empregada para olhar as crianças enquanto ela tomava banho. Entrava para o banheiro, fechava a porta e deitava no chão realizando a postura da tartaruga (vajra hamsasana). Passava 5 minutos debruçada em seu asana, sua prática rejuvenescedora, harmonizadora e devocional. E só depois ia para o chuveiro! Naqueles 5 minutos a professora Angela ganhava o fôlego para continuar administrando sua própria vida sem sucumbir ao convite de ser engolida pela rotina. Ela continuava diante da realidade movimentada de quem tem 5 crianças em casa, mas era capaz de manter as rédeas da vida em suas mãos.

Uma história simples, de uma mulher como todas nós. Mas uma experiência inspiradora! A imagem dessa mãe na postura da tartaruga no banheiro, unida à imagem atual dessa mulher – avó, professora, estudiosa e praticante de yoga -, me enche de esperança e inspiração. Eu vejo uma história de mulher vitoriosa; e muito me preenche saber que mesmo a dedicação pequena ao yoga foi suficiente para manter acesa a luz sagrada.

Vejo que não são apenas as grandes e freqüentes práticas de yoga que alimentam nossa chama. E me traz também a lembrança de que a vida materna é feita de fases. Muitas e curtas fases, visto que todas passam muito rápido. Se em um momento se está submersa a fraldas e papinhas, em breve se estará com a casa vazia e os filhos na rua. E para não se perder entre as fases, acreditando que elas são o absoluto, há de se ter eixo e foco em algo que seja eterno. Ao ver o céu, observar que o azul é estável e as nuvens passageiras. Se observarmos tudo com o mesmo olhar, perderemos a permanência e nos perderemos no que é inconstante.

A paz e a calma são a verdadeira natureza de nossa mente e de nosso espírito. Os redemoinhos de pensamentos e as dificuldades da vida são nuvens no céu.

Gratidão Angela pela sua devoção e persistência no caminho do bem e da paz!

Namaste!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O fim do período pós-parto

Desde o primeiro momento em que anunciei o trabalho de yoga pós-parto, tenho recebido a pergunta: até quando vai o período pós-parto? Eis aí uma questão difícil e passível de muitas respostas. Eu devolvo a pergunta a cada mulher: você ainda se sente em pós-parto?

O nascimento de um filho nos abre uma porta na vida e muitas vezes nos tornamos outra após este grande evento. O parto é um marco na vida da mulher, de forma que podemos dividir a vida em pré-parto e pós-parto. E sob esse ponto de vista, o período pós-parto não terá fim.

Do ponto de vista médico e psicológico, há algumas vertentes e propostas, considerando o comportamento emocional e hormonal da mulher, a fusão entre bebê e mãe, o aleitamento materno, entre outros critérios.

Para a construção da prática de yoga direcionada à mulher na fase pós-parto, não tenho limite de tempo. Criei a prática baseada em algumas condições comuns à maternagem, e cada mulher se distância dessas condições em um tempo próprio. Então, o yogaposparto considera as seguintes especificidades como características da mulher em pós-parto:
• Lactância
• Sentimento de fusão entre mãe e bebê
• Filho que demanda colo
• Abdômen estendido
• Dificuldade na retomada da vida social
• Sono fragmentado durante a noite
• Confusão emocional: tristeza pós-parto e alegria com a chegada do filho
• Sensação de ventre vazio
• Dúvida mental e insegurança diante às decisões maternas
• Ausência ou queda de libido
• Desajuste familiar; o casal não se reconhece mais

Iara e Isadora. Foto: Kalu Brum
Algumas mulheres podem apresentar todos esses comportamentos ao mesmo tempo, ou apenas alguns deles. Há mães cujo filho tem 6 meses e não se identifica mais com as condições pós-parto; enquanto outras, mesmo com um bebê de 1 ano e meio, está envolvida por tais características. Por isso, para mim e para o trabalho de yogapósparto, a duração desta fase varia de experiência para experiência.

Tenho um bebê de 1 ano e 3 meses, vivo parte dos sentimentos e comportamentos acima; me considero com um pé dentro e um pé fora do período pós-parto. Estou ensaiando viver com os dois pés fora e me sobrará a lactância. Este texto, por exemplo, está sendo escrito com um bebê sentado no meu colo, mamando. O que significa que divido minha vida pessoal/profissional ainda com ele. A estabilização da independência entre mãe e filho tende a ser um processo longo. Não adquirimos autonomia de forma cortante, do dia pra noite; e não adquirimos todas no mesmo momento. A fusão entre mãe e bebê foi plena durante a gestação; emancipar-se novamente é um passo grande, às vezes doloroso, e que merece ser dado com cautela e carinho.

Me ajudem a desenhar os limites do período pós-parto. Até quando você se sentiu nessa fase? Quando você acha que sairá desse período?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Meditar amamentando

Mãe e bebê quase não se separam ao longo do dia. Para realizar as atividades que deseja e precisa, a mãe age muitas vezes em dupla com seu pacotinho. O uso dos os carregadores de pano e da cadeirinha do carro oferece certa autonomia ao binômio mãe-bebê.

Com o carregador de pano (sling, mai tai, wrap) é possível fazer caminhada, trilhas, ir ao mercado, compras, salão, e ter vida social. Dentro do sling o bebê mama e tem a mãe disponível para ele o quanto precisa.

Mas quando aquilo que você mais quer e precisa é meditar ou realizar um relaxamento (yoganidra)? Que horas? A solução que encontrei foi aproveitar o momento da amamentação. Se a pega do bebê está bem feita e a mãe se sente segura para dar de mamar deitada, excelente momento para meditar ou relaxar.

Acho muito ousado orientar uma meditação à distância para quem nunca se entregou ao ato. Se você já tem esse hábito, sugiro apenas que experimente fazer o mesmo com seu filho plugado. Mas quem nunca meditou, vamos começar com o yoganidra, o sono do yogue. Será um momento de relaxamento consciente.

Depois de encontrar uma posição confortável para você e seu bebê, feche os olhos e se concentre na própria respiração, que deve ser lenta e profunda. Perceba o ar entrando e saindo lentamente. Tenha sua respiração como calmante para seus pensamentos. Sempre que se perceber distraída, retorne sua atenção para o movimento do ar dentro de você.

Comece então um rastreamento corporal: sinta seu corpo parte por parte. Comece pelos pés, levando o foco de seu pensamento para lá, sem movimentar-se intencionalmente; apenas leve a atenção. E vá subindo pelas pernas, coxas, ventre, órgãos, tórax, braços, mãos, cabeça. E então perceba seu corpo integralmente, soltando-se na superfície que te apóia. Continue inspirando e expirando com a atenção no silêncio do seu corpo.

Quando for preciso despertar desse estado, o faça calmamente, sem movimentos bruscos, incluindo seu filho numa dança suave e doce, como se você fosse acordar um botão de rosas.

Faça da amamentação o seu descanso. Não desperdice seu parco momento de deitar-se, ou recostar-se numa cadeira para dar de mamar, pensando em todas as tarefas que te aguardam. As tarefas são muitas, certamente, mas elas não se adiantarão com sua fadiga mental! Esteja presente em todos os seus atos! Seja inteira com você e com seu bebê. Depois seja inteira com suas tarefas!

É possível estar concentrada e em estado contemplativo em qualquer posição. Com regularidade, a prática se tornará progressivamente mais simples e saborosa!

Descanse em paz! Namastê!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Shantala, massagem em bebês

A indiana de nome Shantala realizava uma massagem em seu filho, e Frédéric Leboyer filmou esse lindo momento, que partilho com vocês agora. Sem mais, fiquem com as imagens.



Namastê

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Equilibrando-se em 5 minutos

Para quem está submersa no cotidiano e não consegue reservar tempo para a prática do yoga, trago uma dica:
Arquivo pessoal

Vajra Hamsasana



Este asana é conhecido também como postura da tartaruga e tem o forte poder de trazer paz, centramento, devoção e confiança ao praticante. Com a vantagem de não exigir grandes níveis de força e alongamento, é uma postura realizável para a maior parte das pessoas.

Para realizá-la, você deve se sentar sobre os joelhos, em uma superfície macia, e deitar o tronco sobre as coxas, descansando a cabeça no chão ou nas mãos. Uma variação das mãos é colocar uma sobre a outra e a testa sobre ambas; outra variação é esticar os dois braços e encontrar as mãos unindo polegares e dedos indicadores, formando um triângulo (trimurdi mudra).

Grávidas e pessoas obesas devem realizar o asana com as pernas um pouco afastadas, de forma que o abdômen fique entre as coxas.

Vajra Hamsasana retrai nossos sentidos, nos permite o silêncio profundo e o descanso verdadeiro. Se você conseguir realizar a postura por 5 minutos, com a respiração livre e os pensamentos calmos, certamente sentirá benefícios imediatos para lidar com os desafios daquele momento, e também colherá frutos em longo prazo, se a prática for regular.

Se os pensamentos te perturbarem durante a postura, experimente cantar mentalmente uma canção leve que te acalme, ou um mantra que você goste.
Trata-se de uma postura de servidão e entrega. Ela nos ajuda a aceitar que o curso da vida não está em nossas mãos. E ainda descansa e alonga a coluna vertebral e estimula e tonifica os órgãos abdominais.

Cuide de você, seja a paz que você deseja para o mundo!

Namastê!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Com tantos afazeres, por que fazer yoga?




O tempo da mãe de um recém-nascido é raro. Muitas vezes o dia acaba sem que ela tenha se banhado. Ou o Sol se põe sem que a mãe tenha conseguido almoçar. Em casa, a nova mãe tem um trabalho constante e quase ninguém vê o resultado de seus empenhos. Se vai mais um dia dedicado a dar o peito, trocar fraldas, colocar para arrotar, dar banho e acalentar o choro.
E para abalar as emoções femininas, ainda haverá algum familiar que dirá: "mas o que você fez hoje?"

Eu me pergunto, e talvez você também se pergunte: porque, diante de tanta escassêz de tempo, tirar um momento para praticar yoga? Eu praticava yoga alguns anos antes de minha primeira gestação, e quis retomar a prática porque já era algo primordial à minha rotina. Mas não foi só por isso.

A experiência do yoga me ofereceu recursos para administrar minhas dificuldades do dia a dia materno. Diante das dores nos braços e coluna, recorri às posturas para me alongar e fortalecer. Diante de um bebê com sono que resistia para dormir, recorri aos mantras para me acalmar e ser capaz de fornecer paz a ele. Diante dos cortes e lacerações que tive na carne, durante o parto, recorri à lindas visualizações de cicatrização e respirações curativas. Diante dos palpites equivocados, recorri à meditação para escutar meu coração e conhecer o manual de bebês que residia lá dentro. Diante da febre, resfriado ou medo da doença, recorri à fé e positividade que o yoga aflorou em mim.

Assim, sempre tive um parceiro no ato de maternar. Nunca me senti sozinha diante do universo, pois a tradição do yoga me conectou à Mãe Divina. E essas dificuldades que citei foram vividas com leveza, me permitindo desfrutar da doçura de ver um bebê apreender o mundo e doar seu amor.

Mas como já disse, esses "recursos" já estavam em mim, pois já praticava yoga. Porém, tão logo pude, retomei as aulas coletivas, saindo de casa com meu bebê, buscando minha mãe para ficar com ele em uma sala ao lado, enquanto eu me dedicava a mim. Essas aulas eram meus suspiros semanais. Como uma parada no posto de gasolina, em que você abastece o carro de acordo com a capacidade do tanque e da carteira; podendo em seguida percorrer longos quilômetros até fazer a próxima parada.

Fico aqui com o convite para que você se abasteça de prana, energia vital, para ser capaz de maternar com alegria!

Namastê!