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| Arquivo pessoal |
Hoje venho contar a experiência de outra mulher com yoga e maternidade. Angela Campelo, mãe de 5 filhos, avó de 7 netos, doçura e generosidade encarnada. Angela pratica yoga desde os 19 anos, e entre pausas e retomadas, são quase 50 anos de envolvimento com o yoga. Ela é criadora da escola Tranquilitas, professora há 16 anos, e me contou da sua experiência com suas crianças, que devo dividir com vocês.
Quando os filhos de Angela eram pequenos, ela não trabalhava fora de casa e assumiu integralmente os cuidados com os pimpolhos. Não contava com ajuda de babá, mas tinha uma ajudante para os cuidados da casa. Embora fosse uma mãe dedicada e que ama muito os filhos, haviam momentos em que ela desejava “engolir os meninos” para ter instantes de sossego. Ela pensava “só se eu voltar esses meninos pra minha barriga, vou conseguir ajeitar as coisas”. Por mais que ela desejasse, o ato não era possível. Angela tinha, como toda mãe, que se organizar, se reconhecer, se achar e respirar mesmo envolvida às ações das 5 crianças. Falando em língua de dia de semana, ela tinha que se virar!
Como já era uma apaixonada praticante de yoga, encontrava aí uma luz para seus momentos de sufoco: vez ou outra pedia à empregada para olhar as crianças enquanto ela tomava banho. Entrava para o banheiro, fechava a porta e deitava no chão realizando a postura da tartaruga (vajra hamsasana). Passava 5 minutos debruçada em seu asana, sua prática rejuvenescedora, harmonizadora e devocional. E só depois ia para o chuveiro! Naqueles 5 minutos a professora Angela ganhava o fôlego para continuar administrando sua própria vida sem sucumbir ao convite de ser engolida pela rotina. Ela continuava diante da realidade movimentada de quem tem 5 crianças em casa, mas era capaz de manter as rédeas da vida em suas mãos.
Uma história simples, de uma mulher como todas nós. Mas uma experiência inspiradora! A imagem dessa mãe na postura da tartaruga no banheiro, unida à imagem atual dessa mulher – avó, professora, estudiosa e praticante de yoga -, me enche de esperança e inspiração. Eu vejo uma história de mulher vitoriosa; e muito me preenche saber que mesmo a dedicação pequena ao yoga foi suficiente para manter acesa a luz sagrada.
Vejo que não são apenas as grandes e freqüentes práticas de yoga que alimentam nossa chama. E me traz também a lembrança de que a vida materna é feita de fases. Muitas e curtas fases, visto que todas passam muito rápido. Se em um momento se está submersa a fraldas e papinhas, em breve se estará com a casa vazia e os filhos na rua. E para não se perder entre as fases, acreditando que elas são o absoluto, há de se ter eixo e foco em algo que seja eterno. Ao ver o céu, observar que o azul é estável e as nuvens passageiras. Se observarmos tudo com o mesmo olhar, perderemos a permanência e nos perderemos no que é inconstante.
A paz e a calma são a verdadeira natureza de nossa mente e de nosso espírito. Os redemoinhos de pensamentos e as dificuldades da vida são nuvens no céu.
Gratidão Angela pela sua devoção e persistência no caminho do bem e da paz!
Namaste!

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